Estudos

O Repouso que Permanece

“Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de DEUS, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé, na­queles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso; conforme DEUS tem dito: Assim ju­rei na Minha ira: Não entrarão no Meu descanso, embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo. Porque em certo lugar assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou DEUS, no sétimo dia, de todas as obras que fizera… Portanto, resta um repouso para o povo de DEUS. Porque aquele que entrou no descanso de DEUS, também ele mesmo descansou de suas obras, como DEUS das Suas.” (He­breus 4:1-10).

O repouso que é aqui referido evidentemente se trata do repouso que resta ao povo de DEUS no reino e­terno de nosso SENHOR e Salvador JESUS CRISTO. É o repouso na Terra feita nova, que os antigos judeus não obtive­ram devido à descrença. O que eles receberam na terra de Canaã constituía somente uma sombra do descanso real que DEUS lhes prometeu. O mesmo evangelho do Reino que nos é pregado foi primeiro pregado a eles. Mas o que tem o sétimo dia a ver com esse repouso eterno no reino de DEUS? Veremos.

O sábado é o memorial da Criação, como vimos. Mas não nos esqueçamos de que o sábado foi dado no tempo em que “Viu DEUS tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”. Assim, o sábado comemora a Criação perfeita. Lembra-nos de que a Terra não esteve sempre na condição em que agora a vemos. Então, uma vez que nenhuma palavra de DEUS pode falhar, e todo propósito será levado a cabo, assim como tão certamente o sábado nos lembra de uma Criação perfeita completada para ser a habitação do homem, ele nos assegura que a Terra será renovada e adequada para a habitação daqueles que serão preparados para a herança dos santos na luz.

“Envergonhar-se-ão, e serão confundidos todos eles; cairão à uma em ignomínia os que fabricam ídolos. Israel, porém, será salvo pelo SENHOR com salvação eterna; não sereis envergonhados nem confundi­dos em toda a eternidade. Porque assim diz o SENHOR que criou os céus, o único DEUS, que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a fez para ser um caos, mas para ser habitada; Eu sou o SENHOR e não há outro”. (Isaías 45:16-18).

DEUS fez a Terra, e colocou o homem nela. Quando o homem foi criado, ele era reto; portanto, DEUS in­tencionou que a Terra fosse habitada por uma raça de seres perfeitos. A esses seres ele concedeu o sábado para que pudessem ter em mente o seu Criador, e assim retivessem sua perfeição. Essa perfeição não era meramente de caráter físico, mas também espiritual. O homem, em perfeição de caráter, foi criado à imagem de DEUS. Assim ele devia observar o sábado, como um recordativo da perfeição espiritual que havia recebido de DEUS, e isso po­dia ser preservado por Ele somente. Agora é a essa condição perfeita que o SENHOR irá restaurar a Terra, e medi­ante o evangelho está preparando um povo perfeito para habitar na Terra restaurada. Conquanto o homem tenha caído, e a Terra haja sido contaminada, o sábado ainda permanece um fragmento do Éden, tanto como uma recor­dação ao homem do que DEUS preparou no princípio, como também um meio de soerguê-lo àquela elevada posi­ção, de modo que pudesse desfrutá-la quando fosse restaurado.

O descanso que permanece, portanto, é a Terra renovada e o Éden restaurado. As obras foram termina­das desde a fundação do mundo. Isto quer dizer que tão logo a Terra foi criada, deu-se o repouso do homem. Ao homem foi dada uma obra a cumprir, mas não era um trabalho exaustivo. Uma tradução estritamente literal de Gênesis 2:15 seria a de que DEUS levou o homem a descansar no jardim que havia plantado. Ele deu ao homem descanso na terra que estava pronta para o seu desfrute. A prova disso é encontrada nas palavras “E DEUS des­cansou no sétimo dia de todas as Suas obras”.

Assim, o sábado foi concedido ao homem como um sinal de que ele devia repousar por toda a eternidade com o SENHOR. Isto é, ele devia desfrutar repouso espiritual, – perfeita liberdade de todo pecado.

Durante os seis dias, DEUS havia pronunciado as palavras que trouxeram à Terra a sua condição perfeita. Então Ele descansou. Cessou de falar, e Sua palavra, que vive para sempre, continuou a suster aquilo que havia criado. Assim DEUS descansou sobre Sua palavra. Ele podia descansar da obra da Criação em perfeita confiança de que a Sua palavra sustentaria o universo. Assim, quando observamos o sábado do SENHOR, simples­mente tomamos o descanso que deriva de nos ajustarmos às promessas de DEUS.

Destarte é que “nós, porém, que cremos, entramos no descanso”. E aquele que entrou no descanso, cessou também de suas próprias obras, assim como DEUS o fez quanto às Suas. Antes que os homens aceitem ple­namente a simples palavra do SENHOR, tudo deriva do eu. As obras da carne são apenas pecado; e, conquanto os homens professem servir a DEUS, e tenham ansioso desejo de fazer o certo, suas próprias obras nesse propósito são fracassos. “Todas as nossas justiças [são] como trapo de imundície”. (Isaías 64:6). Mas, quando reconhece­mos o poder da palavra de DEUS, e sabemos que é capaz de edificar aqueles que nela confiam, então deixamos nossas próprias obras e permitimos que DEUS opere em nós, tanto o querer quanto o fazer segundo Lhe apraz. Assim, todas as nossas obras são operadas nEle, e elas são justas. Isso é realmente repouso. O repouso que pro­vém quando reconhecemos que a salvação não procede de nós mesmos, mas da palavra que fez os céus e a terra, e que os sustém, é o repouso que o sábado nos traz quando é observado como o SENHOR determina.

Observem que devemos lembrar-nos do dia de sábado para o santificar. É santo, e assim devemos ob­servá-lo. Não devemos torná-lo santo, pois isso seria impossível; somente DEUS poderia fazê-lo. Nenhum ato nos­so pode acrescentar-lhe santidade ou diminuí-la. Nem devemos tornar-nos santos de modo a observá-lo apropria­damente. Isso não poderíamos fazer. Mas o mesmo poder que santificou o dia de sábado nos santificará. Esse poder é o poder que criou o universo. É o poder criador pelo qual devemos ser santificados, pois CRISTO é o Cria­dor, e Ele nos é feito sabedoria, e justificação, e santificação, e redenção. DEUS nos concedeu o sábado – memori­al de Seu poder criador – a fim de que soubéssemos que Ele é o DEUS que nos santifica.

Este é o repouso que CRISTO concede a todos que vão a Ele. Diz Ele: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas”. (Mateus 11:28 e 29). Devemos ir e descansar sobre a palavra que sustém o universo. É isso que representa o sábado. Celebra a Criação, mas a re­denção é simplesmente o poder que cria todas as coisas, operando para restaurá-las. Assim, o sábado assinala as mais elevadas consecuções do evangelho.

Temos visto que o sábado foi dado no Éden, e que é uma parte do repouso sobre o qual DEUS entrou. Quan­do observado em espírito e em verdade, é um pedaço do Éden preservado a nós, através de todas as mudanças operadas pela maldição. E como DEUS não criou a Terra em vão, mas a formou para ser habitada pela mesma classe de pessoas que Ele primeiramente nela colocou, assim haverá ainda de ser. Portanto, o sábado não é apenas uma porção do Éden original preservado a nós, mas é também idêntico àquele repouso que será desfrutado pelos santos de DEUS através da eternidade. O céu começa verdadeiramente sobre a Terra para aqueles que aceitam ple­namente o Salvador, e que a Ele se entregam sem reservas. O sábado – um fragmento do paraíso – sobrepõe-se ao abismo entre o Éden perdido e o Éden restaurado, e sendo o memorial do primeiro, é a proposta do segundo.

Não é, pois, o sábado um deleite de verdade? Pode alguém que compreende o que ele significa conside­rá-lo sob qualquer outra luz que não a de uma bênção? O homem de DEUS nos ofereceu um cântico para o dia de sábado, no qual mostra como deve ser considerado e o que deve fazer por nós. “Bom é render graças ao SENHOR, e cantar louvores ao Teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a Tua misericórdia, e, durante as noites, a Tua fidelidade, com instrumentos de dez cordas, com saltério, e com a solenidade da harpa. Pois me alegraste, SENHOR, com os Teus feitos; exultarei nas obras das Tuas mãos”. (Salmo 92:1-4). Devemos ser fortes no SENHOR, e no poder de Sua força. Devemos ser vencedores “mediante Aquele que nos amou”. Assim, quando estamos cercados pela tentação, temos somente que pensar no poder de DEUS, – o poder que fez os mun­dos a partir do nada, – e sabe que será exibido para nossa libertação se apenas o aceitarmos. Nada é demasiado di­fícil para o SENHOR, e nada existe capaz de detê-Lo. Todas as hostes de Satanás não têm poder quando empenhadas numa disputa com o SENHOR. CRISTO despojou “os principados e potestades”. (Colossenses 2:15). Assim, quando descansamos nesse poder, a vitória já foi obtida. As coisas que DEUS fez nos lembra de Seu poder, e assim triun­famos nas obras de Suas mãos. Essa gloriosa vitória é o que o sábado tem intenção de trazer-nos.

Destarte, assim como o sábado é o sinal de uma Criação perfeita, é o selo de uma nova criatura em CRISTO. É, pois, o selo de DEUS, ministrado pelo ESPÍRITO de DEUS. Sendo que procedeu do Paraíso, e é parte do des­canso do Paraíso, demonstra-nos que aqueles que o observam em espírito (não meramente em forma) são, median­te o extraordinário poder de DEUS, destinados a um lugar no Paraíso. E assim se dará que nas eras infindáveis por vir, quando o Éden for restaurado, toda carne se reunirá de um sábado a outro a adorar ao SENHOR, cujo amor e poder e bondade em CRISTO nos foram concedidos para compartilhar as glórias de Sua presença. E ao se reunirem naqueles triplamente abençoados dias de sábado, entoarão:

“Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graça”. (Apocalipse 5:12 e 13).

Mas a hoste redimida não estará só em seus louvores. Todas as obras de DEUS O louvam mesmo agora, com gemidos, e esperando pela redenção; mas então, quando todo traço da maldição tiver sido removido, e o evangelho tiver trazido de volta a Criação original, “toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar” em perfeita união, como se numa só voz, proclamarão: “Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graça, e honra, e glória, e poder para todo o sempre”. (Apoca­lipse 5:12 e 13).