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Os Dez Mandamentos da Lei de Deus

Logo após acamparem-se no Sinai, Moisés foi chamado para dentro da montanha para encontrar-se com Deus. Sozinho ele subiu o caminho íngreme e áspero, e veio para perto da nuvem que marcava a presença de Jeová. Israel estava agora para ser tomado em uma relação íntima e particular para com o Altíssimo – para ser incorporado como uma igreja e nação sob o governo de Deus. A mensagem para Moisés dar ao povo era:

“Tendes visto o que Eu fiz aos Egípcios, e como vos levei em asas de águia, e trouxe-os até Mim. Agora, portanto, se obedeceres de fato Minha voz, e guardares Minha aliança, então sereis um tesouro peculiar para Mim sobre todos os povos; pois toda a terra é Minha. E me sereis um reino de sacerdotes, e uma nação santa” (Ver Êxodo 19).

Moisés retornou ao acampamento e, tendo convocado os anciãos de Israel, repetiu para eles a mensagem divina. Sua resposta foi, “Tudo o que o Senhor falou faremos”. Assim eles entraram em uma solene aliança com Deus, concordando eles mesmos em aceitá-Lo como seu Governador, pelo qual eles se tornaram, em um sentido especial, os súditos de Sua autoridade.

Novamente seu líder subiu à montanha; e o Senhor disse para ele: “Eis que Eu virei a ti em uma nuvem espessa, para que o povo possa ouvir quando Eu falar contigo, e crer em ti para sempre”. Quando eles se deparavam com dificuldades no caminho, eles estavam dispostos a murmurar contra Moisés e Arão, e acusá-los de guiar as hostes de Israel do Egito para destruí-los. O Senhor iria honrar Moisés diante deles, para que eles pudessem ser levados a confiar em suas instruções.

Deus se propôs a tornar a ocasião de pronunciar Sua lei uma cena de terrível grandeza, a altura de Seu exaltado caráter. O povo deveria ser impressionado que tudo o que está conectado com o serviço de Deus deve ser considerado com a maior reverência.

O Senhor disse a Moisés: “Vá até o povo, e santifíca-os hoje e amanhã, e lavem eles suas roupas, e estejam prontos para o terceiro dia; porque no terceiro dia o Senhor descerá aos olhos de todo o povo sobre o Monte Sinai”. Durante estes dias de intervalo todos deveriam ocupar o tempo em solene preparação para aparecer diante de Deus. Suas pessoas e suas roupas deveriam estar livres de impurezas. E quando Moisés fosse apontar seus pecados, eles deveriam dedicar-se a si mesmos para humilhação, jejum e oração para que seus corações pudessem ser limpos da iniqüidade.

As preparações foram feitas, de acordo com a ordem; em obediência a uma posterior admoestação, Moisés ordenou que fosse colocada uma barreira a volta do Monte, para que nenhum homem nem animal pudessem adentrar o sagrado recinto. Se qualquer se aventurasse mesmo a tocá-lo, a penalidade seria a morte instantânea.

Na manhã do terceiro dia, assim que os olhos de todo o povo foram direcionados para o Monte, seu cume estava coberto com uma espessa nuvem, a qual tornou-se mais negra e densa, estendendo-se para baixo até que toda a montanha estava envolta em trevas e terrível mistério. Então um som como o de uma trombeta foi ouvido, convocando o povo para encontrar-se com Deus; e Moisés os conduziu para fora até a base da montanha. Da espessa escuridão chamejavam vívidos relâmpagos; enquanto estrondos de trovão ecoavam e ressoavam entre as culminâncias circunjacentes. “E o Monte Sinai estava fumegante, porque o Senhor desceu sobre ele em fogo; e a fumaça dele acendia como a de uma fornalha e todo o Monte tremia grandemente”. “A glória do Senhor era como fogo devorador no topo do Monte” à vista da multidão congregada. E “a voz de trombeta soou longamente crescendo sobremaneira”. Tão terríveis eram os sinais da presença de Jeová, que as hostes de Israel tremeram de terror e se prostraram sob suas faces diante do Senhor. Mesmo Moisés exclamou: ” Eu estou todo assombrado, e tremendo” (Hebreus 12:21).

E agora os trovões cessaram; a trombeta não mais foi ouvida; a terra estava em silêncio. Houve um período de solene silêncio, e então a voz de Deus foi ouvida. Falando da espessa escuridão que O rodeava, enquanto estava sobre o Monte rodeado por um acompanhamento de anjos, o Senhor fez conhecida Sua lei. Moisés, descrevendo a cena, diz: “O Senhor veio do Sinai e levantou-Se de Seir até eles; Ele resplandeceu do Monte Parã, e veio com dez milhares de santos; à Sua direita havia para eles o fogo da lei. Em verdade, Ele amou o povo; todos os Seus santos estão em Tua mão; e eles sentam-se aos Teus pés; cada um receberá de Tuas palavras” (Deut. 33:2,3).

Jeová revelou a Si mesmo, não apenas na terrível majestade de Juiz e Doador da lei, mas como um compassivo guardião de Seu povo: “Eu Sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão” (Êxodo 20:2). Aquele que eles tinham conhecido como seu Guia e Libertador, que tinha-os tirado do Egito, abrindo um caminho para eles através do mar, e subvertendo Faraó e suas hostes, que tinha assim demonstrado estar Ele mesmo acima de todos os deuses do Egito – Ele era Aquele que agora proclamava Sua lei.

A lei não foi dada neste tempo exclusivamente para o benefício dos Hebreus. Deus os honrou por torná-los guardiões e depositários de Sua lei, mas isto era para ser considerado como um sagrado depósito para todo o mundo. Os dez preceitos do decálogo são adaptados para toda a humanidade, e foram dados para a instrução e governo de todos. Dez preceitos, breves, compreensíveis, e autorizados, abrangem o dever do homem para com Deus e para com seu próximo; e todos estão baseados sobre o grande princípio fundamental do amor. “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e o teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27; Deuteronômio 6:4; Levítico 19:18). Nos dez mandamentos estes princípios são apresentados em detalhe, e tornados aplicáveis à condição e circunstâncias do homem.

“Não terás outros deuses diante de Mim” (Êxodo 20:3-17).

Jeová, o eterno, auto-existente, o Único incriado, sendo Ele mesmo a fonte e mantenedor de tudo, é o único com direito a suprema reverência e adoração. É proibido ao homem dar a qualquer outro objeto o primeiro lugar em suas afeições ou serviço. O que quer que nós acariciemos que tenda a diminuir nosso amor por Deus ou interferir no serviço devido a Ele, fazemos disto um deus.

“Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto”.

O segundo mandamento proíbe a adoração do verdadeiro Deus por imagens ou similitudes. Muitas nações pagãs asseveravam que suas imagens eram meras figuras ou símbolos pelos quais a Deidade era adorada; mas Deus declarou que tal adoração é pecado. O esforço para representar o Único Eterno por objetos materiais diminuiria a concepção de Deus no homem. A mente, desviada da infinita perfeição de Jeová, seria atraída para a criatura em lugar do Criador. E como suas concepções de Deus seriam diminuídas, o homem seria degradado.

“Eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso”. A íntima e sagrada relação com Deus para com Seu povo é representada sob a figura do casamento. Sendo a idolatria o adultério espiritual, o desprazer de Deus contra a mesma é corretamente denominado ciúme.

“Visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me aborrecem”. É inevitável que os filhos devam sofrer as conseqüências das más ações dos pais, mas eles não são punidos pela culpa dos pais, exceto quando eles participam em seus pecados. Todavia, ocorre usualmente que os filhos andam nos passos de seus pais. Por herança e exemplo os filhos se tornam participantes dos pecados do pais. Más tendências, apetites pervertidos e moral depravada, assim como doenças físicas e degeneração, são transmitidas como um legado de pai para filho, para a terceira e quarta geração. Esta terrível verdade deveria ter um solene poder de restringir os homens de seguir um caminho de pecado.

“Faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” Proibindo a adoração de deuses falsos, o segundo mandamento por implicação ordena a adoração ao verdadeiro Deus. E para aqueles que são fiéis em Seu serviço, a misericórdia é prometida, não meramente para a terceira e quarta geração como o é a ira que ameaça aos que O odeiam, mas para milhares de gerações.

“Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão”.

Este mandamento não somente proíbe os falsos juramentos e promessas comuns, mas nos proíbe usar o nome de Deus em uma luz ou maneira descuidadas, sem consideração para com Sua terrível significância. Pela menção impensada de Deus na conversação comum, por apelos a Ele em matérias triviais, e por repetição freqüente e impensada do Seu nome, nós O desonramos. “Santo e tremendo é Seu nome” (Salmo 111:9). Todos deveriam meditar sobre Sua majestade, Sua pureza e santidade, e o coração poderia ser impressionado com um senso de Seu exaltado caráter; e Seu santo nome deveria ser pronunciado com reverência e solenidade.

“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.”

O Sábado não é introduzido como uma nova instituição, mas como tendo sido fundado na criação. É para ser lembrado e observado como o memorial da obra do Criador. Apontando para Deus como o Criador dos céus e da terra, ele distingue o verdadeiro Deus de todos os deuses falsos. Todos os que guardam o sétimo dia, mostram por este ato que eles são adoradores de Jeová. Assim, o Sábado é o sinal da lealdade do homem para com Deus enquanto houver qualquer homem sobre a terra para servi-Lo. O quarto mandamento é o único de todos os dez no qual são encontrados tanto o nome quanto o título do Doador da lei. Ele é o único que mostra pela autoridade de quem a lei é dada. Assim, ele contém o selo de Deus, afixado à Sua lei como evidência de Sua autenticidade e força restritora.

Deus deu aos homens seis dias nos quais trabalhar, e Ele quer que seus próprios trabalhos sejam feitos nos seis dias úteis. Atos misericordiosos e necessários são permitidos no Sábado, o doente e sofredor deve receber cuidado em todo o tempo; mas trabalho desnecessário deve ser estritamente evitado. “Desvie teu pé do Sábado de fazer a tua vontade no Meu santo dia, e chame o Sábado um deleite, o santo do Senhor, honorável e …honre-O, não seguindo teus próprios caminhos, não procurando o teu próprio prazer”( Isaías 58:13). A proibição não acaba aqui. “Não falando tuas próprias palavras”, diz o profeta. Aqueles que discutem temas de negócios ou fazem planos no Sábado são considerados por Deus como se estivessem engajados na transação de negócios. Para santificar o Sábado, nós não deveríamos nem mesmo permitir nossas mentes repousarem sobre coisas de caráter mundano e o mandamento inclui todos dentro de nossas portas.

Os que convivem na casa devem deixar de lado seus negócios mundanos durante as horas sagradas. Todos devem se unir em honrar a Deus, rendendo-Lhe serviço neste Seu santo dia.

“Honra teu pai e tua mãe; para que se prolonguem teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. Os pais são merecedores de um grau de amor e respeito o qual não é devido a nenhuma outra pessoa. Deus mesmo, que colocou sobre eles a responsabilidade pelas almas confiadas ao seu cuidado, ordenou que, durante os primeiros anos de vida, os pais estarão no lugar de Deus para seus filhos. E aquele que rejeita a legítima autoridade de seus pais, está rejeitando a autoridade de Deus. O quinto mandamento requer dos filhos não apenas o render respeito, submissão e obediência aos seus pais, mas também dar a eles amor, e carinho, abrandar seus cuidados, guardar sua reputação, e socorrê-los e confortá-los em sua velhice. Ele também envolve respeito pelos ministros e governadores, e por todos os outros para os quais Deus delegou autoridade.

Este, diz o apóstolo, “é o primeiro mandamento com promessa” (Efésios 6:2). Para Israel, que esperava logo entrar em Canaã, era uma promessa para o obediente, ter vida longa naquela boa terra; mas possuía um significado mais amplo, incluindo todo o Israel de Deus, e prometendo vida eterna sobre a terra quando esta estiver livre da maldição do pecado.

“Não matarás”.

Todos os atos de injustiça que tendem a diminuir a vida; o espírito de ódio e vingança, ou a indulgência para com qualquer paixão que conduz a atos danosos para com outros, ou faça-nos desejar que eles sejam prejudicados (porque “aquele que odeia seu irmão é um assassino”); uma negligência egoísta de cuidado para com os necessitados e sofredores; toda condescendência própria ou desnecessária privação ou trabalho excessivo que tenda a prejudicar a saúde – todos esses são, em um maior ou menor grau, violações do sexto mandamento.

“Não adulterarás”.

Este mandamento proíbe não somente atos de impureza, mas também pensamentos e desejos sensuais, ou qualquer prática que tenda a excitá-los. A pureza é requerida não somente na vida exterior, mas também nos secretos intentos e emoções do coração. Cristo, que ensinou as obrigações de grande alcance da lei de Deus, declarou o mal pensamento ou olhar como sendo tão certamente pecado como o ato de transgressão.

“Não furtarás”.

Ambos os pecados, públicos e privados, estão inclusos nesta proibição. O oitavo mandamento condena o roubo de homem e tráfico de escravo e proíbe a guerra de conquista. Ele condena o furto e roubo. Ele requer estrita integridade nos mínimos detalhes dos assuntos da vida. Ele proíbe a trapaça no negócio e requer o pagamento de dividendos e salários justos. Ele declara que todo esforço de obter vantagem de alguém pela ignorância, fraqueza ou infortúnio de outro, está registrado como fraude nos livros do céu.

“Não dirá falso testemunho contra o teu próximo”.

O dizer falsidade, em qualquer assunto, toda tentativa ou propósito de enganar nosso próximo, está inclusa aqui. Por uma intenção de enganar é o que constitui falsidade. Um lance do olho, um movimento de mão, uma expressão do semblante, uma falsidade pode ser dita, tão efetivamente quanto por palavras. Todo o exagero intencional, toda suspeita ou insinuação calculada para dar uma impressão errônea ou exagerada, mesmo uma colocação dos fatos de tal modo a enganar, é falsidade. Este preceito proíbe todo esforço para prejudicar a reputação de nosso próximo por má representação ou má conjectura, por difamação ou falso relato. Mesmo a supressão intencional da verdade, pela qual pode resultar dano a outros é uma violação do nono mandamento.

“Não cobiçarás a casa de teu próximo, nem a mulher de teu próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”.

O décimo mandamento ataca a própria raiz de todos os pecados, proibindo o desejo egoísta, do qual surge o ato pecaminoso. Aquele que, em obediência à lei de Deus, se refreia de condescender mesmo com um desejo pecaminoso por aquilo que pertence a outro, não será culpado de um ato errôneo para com seu próximo.

Tais eram os sagrados preceitos do decálogo, pronunciados entre trovões e chamas, e com uma maravilhosa amostra do poder e majestade do grande Doador da lei. Deus acompanhou a proclamação da Sua lei com exibições de Seu poder e glória, para que Seu povo pudesse nunca se esquecer da cena, e para que eles pudessem ser impressionados com profunda veneração pelo Autor da lei, o Criador do céu e da terra. Ele também mostraria para todos os homens o caráter sagrado, a importância e a perpetuidade de Sua lei.

O povo de Israel foi tomado com terror. O terrível poder das palavras de Deus parecia mais do que seus corações trementes poderiam suportar. Por que como a grande regra do direito divino foi apresentada diante deles, eles compreenderam, como nunca antes, o caráter ofensivo do pecado, e sua própria culpa à vista de um Deus santo. Eles se afastaram da montanha em medo e espanto. A multidão clamou para Moisés: “Fala tu conosco e nós ouviremos; mas não fale Deus conosco para que não morramos” (Êxodo 20:19-21). O líder respondeu: “Não temais; porque Deus veio para prová-los e para que Seu temor esteja em suas faces, para que não pequeis”. O povo, entretanto, permaneceu à distância mirando com terror a cena, enquanto Moisés “se dirigiu para perto da espessa escuridão onde Deus estava”.

As mentes do povo, cegadas e degradadas pela escravidão e paganismo, não estavam preparadas para apreciar completamente os princípios de longo alcance dos dez preceitos de Deus. Para que as obrigações do decálogo pudessem ser mais completamente entendidas e obedecidas, foram dados preceitos adicionais, ilustrando e aplicando os princípios dos dez mandamentos. Estas leis foram chamadas juízos, porque eles estavam organizados em infinita sabedoria e equidade e porque os magistrados deveriam julgar de acordo com elas. Diferentemente dos dez mandamentos, elas foram entregues de maneira privada a Moisés, que deveria comunicá-las para o povo.

A primeira destas leis referia-se aos servos. Nos tempos antigos, criminosos eram algumas vezes vendidos à escravidão pelos juízes; em alguns casos, os devedores eram vendidos para seus credores; e a pobreza levava mesmo pessoas a se venderem ou venderem seus filhos. Mas um Hebreu não poderia ser vendido como escravo por toda a vida. Seu prazo de serviço estava limitado a seis anos; no sétimo ele deveria ser liberto. O roubo de homens, assassinato deliberado, e rebelião contra a autoridade paternal deveriam ser punidos com a morte. Era permitida a manutenção de escravos estrangeiros, mas suas vidas e pessoas eram estritamente guardadas. O assassino de um escravo deveria ser punido; um dano infligido a um por seu senhor, embora não superior a um dente, lhe dava o direito de liberdade.

Os Israelitas tinham ultimamente sido eles mesmos servos, e agora que eles estavam para ter servos a seu comando, eles deveriam estar advertidos contra o acariciar o espírito de crueldade e rigidez do qual eles tinham sofrido sob seus feitores Egípcios. A memória de sua própria amarga servidão deveria habilitá-los a colocarem-se a si mesmos no lugar de seus servos, levando-os a serem benignos e compassivos, para tratar os outros como eles gostariam de serem tratados.

Os direitos das viúvas e órfãos eram especialmente guardados, e era ordenada uma terna consideração por sua condição desajudada.” Se tu os afligir de qualquer maneira”, o Senhor declarou, “e eles clamarem para Mim, Eu certamente ouvirei seu clamor; e Minha ira se acenderá, e Eu vos matarei com a espada; e vossas esposas serão viúvas, e vossos filhos órfãos” (Êxodo 22:23,24). Estrangeiros que se unissem a Israel, deveriam ser protegidos do mal ou opressão. “Não oprimirás o estrangeiro; porque vós conheceis o coração do estrangeiro, vendo que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9).

O tomar do pobre com usura era proibido. A veste ou cobertor de um homem pobre tomada como um penhor, deveria ser restituída a ele ao cair da tarde. Era exigido aquele que fosse culpado de roubar restituir o dobro. Era ordenado respeito pelos magistrados e governadores, e os juízes eram advertidos contra perverter o julgamento, auxiliando uma causa falsa ou receber suborno. A calúnia e difamação eram proibidas, e eram ordenados atos de bondade mesmo para com os inimigos.

O povo foi novamente lembrado da sagrada obrigação do Sábado. Eram apontadas festas anuais, às quais todos os homens da nação deveriam se congregar diante do Senhor trazendo à Ele suas ofertas de gratidão, e as primícias de seus ganhos. O objetivo de todos estes regulamentos foi determinado: eles não procediam de nenhum exercício de mera soberânia arbitrária; todos foram dados para o bem de Israel. O Senhor disse: “Vós sereis homens santos diante de Mim” (Êxodo 22:31) – dignos de serem reconhecidos por um Deus santo.

Estas leis deveriam ser registradas por Moisés e cuidadosamente entesouradas como o fundamento da lei da nação, e, com os dez preceitos os quais elas foram dadas para ilustrar, a condição do cumprimento das promessas de Deus para Israel.

Foi agora dada a eles a mensagem de Jeová: “Eis que Eu envio um Anjo de diante de ti, para mantê-lo no caminho, e para levá-lo para o lugar o qual Eu preparei. Esteja atento a Ele, e obedeça a Sua voz, não o provoque; porque Ele não perdoará vossas transgressões, porque o Meu nome está nEle. Mas se obedeceres Sua voz e fizeres tudo o que Eu disser, então Eu serei inimigo de teus inimigos e adversário de teus adversários”(Êxodo 23:20-22). Durante todas as peregrinações de Israel, Cristo, na coluna de nuvem e de fogo, era seu Líder. Enquanto haviam tipos apontando para um Salvador por vir, havia também um Salvador presente, que dava ordens a Moisés para o povo, e que foi colocado diante deles como o único canal de bençãos. Ao descer da montanha, “Moisés veio e contou ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os juízos, e todo o povo respondeu em uma voz, e disse: Tudo o que o Senhor disse, nós faremos” (ver Êxodo 24). Este voto, junto com as palavras do Senhor as quais Ele os obrigava a obedecer, foi escrito por Moisés em um livro.

Então seguiu-se a ratificação da aliança. Foi construído um altar ao pé da montanha, e ao lado dele foram levantados doze pilares “de acordo com as doze tribos de Israel”, como um testemunho de sua aceitação do concerto. Foram então apresentados sacrifícios por jovens escolhidos para o serviço.

Tendo aspergido o altar com o sangue das ofertas, Moisés “tomou o livro do concerto, e leu-o na presença do povo”. Assim as condições do concerto foram solenemente repetidas e todos estavam na liberdade de escolher se renderiam-se ou não a ele. Eles tinham primeiramente prometido obedecer à voz de Deus; mas eles tinham ouvido a proclamação de Sua lei desde então; e Seus princípios tinham sido pormenorizados, para que eles pudessem saber o quanto este concerto envolvia. Novamente o povo respondeu conjuntamente: “tudo o que o Senhor tem dito nós faremos e obedeceremos”. “Quando Moisés falou todos os preceitos para todo o povo de acordo com a lei, ele tomou o sangue,…e aspergiu sobre o livro e sobre o povo dizendo : Este é o sangue do testamento o qual Deus tem ordenado a vós” (Hebreus 9:19,20).

Deveriam ser feitos agora arranjos para o completo estabelecimento da nação escolhida sob o governo da Jeová como o seu Rei. Moisés tinha recebido a ordem “vem até o Senhor tu e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel; e adorem de longe. E Moisés virá sozinho para perto do Senhor”. Enquanto o povo adorava ao pé da montanha, estes homens escolhidos foram chamados para dentro da montanha. Os setenta anciãos deveriam assistir Moisés no governo de Israel, e Deus pôs Seu espírito sobre eles, e os honrou com uma visão de Seu poder e grandeza. “E eles viram o Deus de Israel; e havia sob seus pés como que um piso de pedra de safira e ele era como o firmamento do céu em sua claridade”. Eles não contemplaram a Deidade, mas eles viram a glória da Sua presença”. Antes disto eles não teriam suportado tal cena; mas a exibição do poder de Deus os tinha levado ao arrependimento; eles tinham estado a contemplar Sua glória, pureza e misericórdia, até que eles puderam aproximar-se mais dAquele que era o objeto de suas meditações.

Moisés e “seu ministro Josué” foram agora convocados para se encontrarem com Deus. E como eles estavam para ficar algum tempo ausentes, o líder apontou Arão e Hur, assistidos pelos anciãos para atuar em seu lugar. “E Moisés veio para dentro da montanha e uma nuvem cobriu a montanha. E a glória do Senhor pousou sobre o monte Sinai”. Por seis dias a nuvem cobriu a montanha como um sinal da presença especial de Deus; mas ainda assim não houve nenhuma revelação de Si mesmo ou comunicação de Sua vontade. Durante este tempo Moisés permaneceu na espera por uma convocação para a câmara da presença do Altíssimo. Tinha-lhe sido instruído ” venha até Mim na montanha, e esteja lá”, e embora sua paciência e obediência fossem testadas, ele não se impacientou pela vigília, ou abandonou seu posto. Este período de espera fora para ele um tempo de preparação, de íntimo auto-exame. Mesmo este favorecido servo de Deus não poderia se aproximar de uma vez à Sua presença e suportar as exibições de Sua glória. Seis dias deveriam ser empregados em dedicar a si mesmo para Deus pelo exame de coração, meditação e oração, antes que ele pudesse estar preparado para comunhão direta com o seu Criador.

No sétimo dia, o qual era o sábado, Moisés foi chamado para dentro da nuvem. A espessa nuvem se abriu aos olhos de todo o Israel, e a glória do Senhor irrompeu como um fogo devorador. “E Moisés veio para o meio da nuvem, e dirigiu-se até o Senhor na montanha. E Moisés esteve na montanha quarenta dias e quarenta noites”. Os quarenta dias passados na montanha não incluíram os seis dias de preparação. Durante os seis dias, Josué estava com Moisés e juntos eles comeram do maná e beberam da “fonte que descia da montanha”. Mas Josué não entrou com Moisés na nuvem. Ele permaneceu fora, e continuou a comer e beber diariamente enquanto esperando o retorno de Moisés, mas Moisés jejuou durante os quarenta dias completos.

Durante sua estada na montanha, Moisés recebeu instruções para a construção de um santuário no qual a presença divina seria especialmente manifesta. “E Me farão um santuário e habitarei no meio deles” (Êxodo 25:8) foi a ordem de Deus. Pela terceira vez, a observância do sábado foi ordenada. “É um sinal entre Mim e os filhos de Israel para sempre”, o Senhor declarou, “para que saibais que Eu sou Jeová que os santifica. Portanto guardareis o sábado; pois ele é santo para vós… Quem fizer qualquer obra durante ele, esta alma deve ser excluída dentre seu povo” (Êxodo 31:17,13,14). Tinham recém sido dadas instruções para a ereção imediata do tabernáculo para o serviço de Deus; e agora o povo poderia concluir, que uma vez que o objeto tido em vista era para a glória de Deus, e também por causa de sua grande necessidade de um lugar de adoração, eles seriam justificados por trabalhar no edifício no sábado. Para guardá-los deste erro, o aviso foi dado. Mesmo a santidade e urgência daquela obra especial para Deus não os deveria levar a transgredir este santo dia de repouso.

Dali por diante, o povo deveria ser honrado com a presença permanente de seu Rei.” Eu habitarei entre os filhos de Israel, e serei Seu Deus”, “e o tabernáculo será santificado por Minha glória” (Êxodo 29:45,43), foi a certeza dada a Moisés. Como um símbolo da autoridade de Deus, e a materialização de Sua vontade, foi entregue a Moisés uma cópia do decálogo gravada pelo dedo do próprio Deus sobre duas tábuas de pedra (Deuteronômio 9:10; Êxodo 32:15,16) para ser guardada como santa no santuário, o qual, quando construído, era para ser um centro visível da adoração da nação.

De uma raça de escravos os Israelitas tinham sido exaltados sobre todos os povos, para ser tesouro particular do Rei dos reis. Deus os tinha separado do mundo, para que Ele pudesse confiar a eles um sagrado depósito. Ele os tinha feito os depositários de Sua lei; e Ele propôs, através deles, preservar o conhecimento de Si mesmo. Assim a luz do céu deveria brilhar em um mundo envolto em trevas, e deveria ser ouvida uma voz apelando a todos os povos para se voltarem de sua idolatria para servirem ao Deus vivo. Se os Israelitas houvessem sido fiéis ao seu encargo, eles se tornariam um poder no mundo. Deus seria sua defesa, e Ele os exaltaria sobre todas as outras nações. Sua luz e verdade seriam reveladas através deles, e eles iriam permanecer dali em diante sob Seu sábio e santo governo, como um exemplo da superioridade de Sua adoração sobre todas as formas de idolatria.