Estudos

A Igreja de Filadélfia – Apocalipse 3

Eis o tempo da Liberdade

Em Suas palavras dirigidas à igreja de Sardes, nosso Senhor Jesus Cristo dá um solene aviso: “Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei sobre ti.” (Apocalipse. 3:3). Como vimos no estudo sobre a igreja de Sardes, esta profecia estava apontando ao tempo em que Cristo, nosso sumo-sacerdote, sairia do lugar santo do santuário celestial e iria para o lugar santíssimo na presença de Deus efetuar a obra de julgamento da Sua igreja antes que viesse à Terra buscar os Seus escolhidos (Daniel 7:9-10). Seria em breve, portanto, que se iniciaria a última obra de intercessão em favor de Seu povo, em que cada caso seria finalmente decidido no Céu. Todos deveriam estar atentos e vigiando para que, juntamente com Cristo, entrassem pela fé “para dentro do véu”, e elevassem suas orações a Ele no lugar onde Ele Se encontra.

No início da época de Filadélfia e fim da de Sardes, profeticamente falando, ocorre um evento que marca o início de uma nova fase da igreja Cristã. Em muitos lugares, o papado ainda exercia seu poder dominador, mesmo enquanto nos Estados Unidos da América o povo gozava de plena liberdade religiosa. No ano de 1796, as tropas de Napoleão Bonaparte invadiram a Itália, derrotaram o exército papal e ocuparam Ancona e Loreto. O atual papa, chamado “Pio VI” pediu a paz, que foi concedida em Tolentino em 19 de fevereiro de 1797; mas, em 28 de dezembro do mesmo ano, em um motim realizado pelas forças papais contra alguns revolucionários italianos e franceses, o popular brigadeiro-general Mathurin-Léonard Duphot, que havia ido a Roma com José Bonaparte como parte da embaixada francesa, foi morto, surgindo assim um novo pretexto para invasão. Então, o General francês Berthier marchou para Roma sem oposição em 10 de fevereiro de 1798 e proclamou a República Romana, exigindo do papa a renúncia de seus poderes temporais. (Fonte: Wikipédia).

Por ter-se recusado a renunciar, o papa foi feito prisioneiro, cumprindo a palavra profética que dizia: “se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada” (Apocalipse 13:10). Assim como o papado aprisionava aqueles que eram contra seus dogmas, assim também, no final do império papal, o papa foi aprisionado na cidade de Valença, onde morreu seis meses após sua chegada. Este evento, ocorrido em 20 de Fevereiro de 1798, marcou o fim de um período histórico da igreja, cumprindo-se fielmente a profecia que apontava o tempo em que o papado reinaria. O domínio papal iniciou-se no ano de 538 d.C. e durou até o ano de 1798, cumprindo assim, um total de 1260 anos de poder, exatamente o tempo que Deus havia determinado para que esse poder perdurasse (ver Daniel 7:25; Apocalipse 12:6; 13:5).

Carta à Igreja

7 – Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:

8 – Conheço as tuas obras — eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar — que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.

9- Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pése conhecer que eu te amei.

10 – Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.

11 – Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.

12 -Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalémque desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.

13 – Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. (Apocalipse 3:7-13).

O Grande Despertar

A partir do fim século XVIII e início do século XIX, iniciou-se entre o movimento protestante um aprofundado estudo sobre as profecias que marcavam a chegada do tempo do fim. Descobriram através destes estudos que as profecias de Daniel, capítulos 2, 7 e 8, juntamente com as de Apocalipse 12 e 13, haviam-se cumprido fielmente, e entenderam por meio delas que se aproximava o tempo em que o Senhor Jesus voltaria para buscar o Seu povo. Em Daniel 12:4 encontramos a seguinte declaração: “Tu, porém, Daniel, encerra as palavras e sela o livro, até ao tempo do fim; muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará”. Quão fielmente se cumpriram estas palavras naquela época. Através do estudo das profecias de Daniel em conexão com o Apocalipse, o saber do povo de Deus multiplicou-se grandemente.

No dia 19 de maio de 1780, ocorreu um evento que ficou marcado como o despertar do estudo das profecias – o escurecimento do sol e da lua. Neste determinado dia cumpriu-se o que Jesus Cristo havia predito: “Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade.” (Marcos 13:24). Aqueles que testemunharam a cena, a descreveram com tremendo horror e espanto, por tão densas trevas terem predominado naquele dia. Por volta das 9:00 horas da manhã o dia começou a escurecer, de tal forma, que quando era meio dia as trevas eram tão densas que não se enxergava nada, nem a poucos centímetros da face. Até hoje os cientistas não encontraram explicação para este determinado evento. Este dia ficou conhecido na história como “o dia escuro”. Quando as pessoas buscavam uma resposta para o que acabara de ocorrer, os servos do Senhor anunciavam que este era um sinal predito de que estava perto a vinda de Cristo.

No ano de 1816, um camponês norte-americano, até então desconhecido, chamado Guilherme Miller, ex-combatente do exército, iniciou seus estudos sobre as Escrituras. Miller fora criado desde criança na Igreja Batista, mas com o decorrer dos anos abandonou sua antiga profissão de fé virando quase um ateu, mais precisamente, um deísta. Dizia que a Bíblia não passava de um simples livro escrito por homens.

Depois de ter participado da Batalha de Plattsburg, em que o exército norte-americano, com 5.500 soldados, venceu o exército inglês, que possuía 15.000, Miller começou a raciocinar na possibilidade da verdadeira existência de um Deus que cuida dos seres humanos, e decidiu estudar a Bíblia. Tomou o firme propósito de que não passaria para o próximo versículo sem ter entendido o anterior. Iniciou seus estudos desde o capítulo 1º de Gênesis, tendo em mãos apenas a Bíblia e uma antiga concordância bíblica. Ao chegar ao livro de Daniel, porém, Miller deparou-se com um versículo que mudaria para sempre a sua vida:

Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.” (Daniel 8:14)

Ao deparar-se com este verso, ele a princípio não pôde compreendê-lo, mas decidiu não deixá-lo de lado e iniciou um estudo aprofundado sobre o tema. Empregando o simbolismo de Ezequiel 4:6-7, em que cada dia representa um ano, ele identificou que os 2300 dias eram 2300 anos, e que, segundo Daniel 9:25, sua contagem foi iniciada no ano de457 a.C. De maneira equivocada, “raciocinou que a ‘purificação do santuário’ era o fim do mundo e a segunda vinda de Cristo”. Em 1818, após dois anos de inarredável concentração ele chegou à impressionante conclusão de que Cristo retornaria ‘por volta do ano de1843’(2300 anos após 457 a.C), e que ‘em cerca de vinte e cinco anos… todas as atividades do nosso estado presente serão encerradas.’” (Fonte: História do Adventismo, pág. 13).

“Se de fato for isso, de que Cristo voltará em tão pouco tempo o mundo precisa ser advertido”, pensou ele. O temor de pregar algo que não estivesse correto e a insegurança de falar em público perdurou no coração de Miller, durante 13 longos anos. Até que não aguentando mais o peso da pressão e responsabilidade que o Senhor colocara sobre ele, decidiu-se a proclamar a mensagem da breve volta de Jesus. Para isso, fez um trato com Deus: se alguém viesse e o convidasse para pregar sobre a volta de Jesus, ele atenderia o convite. Uma vez que Miller nem sequer pregava, e nunca o convidavam para pregar, parecia certo de que nenhum convite surgiria. Dentro de trinta minutos alguém bate em sua porta e, ao abri-la, viu que era o seu sobrinho que ali estava. O garoto disse: “Tio Guilherme, eu saí antes do desjejum para dizer-lhe que nosso pastor na igreja batista de Dresden não poderá dirigir a palavra no culto de amanhã. Papai mandou que eu viesse fazer-lhe um apelo. Ele deseja que venha e nos fale sobre as coisas que tem estudado na Bíblia. A respeito da segunda vinda do Senhor. Aceita?”

Miller ficou perturbado, e depois de muito lutar contra si mesmo, não pôde negar que o convite procedia do Senhor. Foi juntamente com seu sobrinho e transmitiu aquilo que o Senhor o havia comunicado. O resultado foi um reavivamento jamais testemunhado antes naquela igreja e que se estenderia para todo o mundo. Os convites começaram a surgir de todas as partes. Multidões ouviram a mensagem da breve volta de Jesus e tomavam sua decisão ao lado de Cristo.

Dois anos após Miller iniciar suas pregações, ocorreu um evento que deu ainda mais força à sua mensagem. Aconteceu uma forte chuva de meteoritos, no dia 13 de novembro de 1833, dando cumprimento à profecia de Mateus 24:29 que dizia que “as estrelas cairão do firmamento”. Esta foi a maior chuva de estrelas cadentes já registrada na história da Terra.

Em uma reunião realizada pelos mileritas (assim chamados por seguirem a pregação de Miller), um jovem de 21 anos, chamado Tiago White, realizou uma série de conferências proféticas, em que mais de 1.000 pessoas aceitaram a Cristo e batizaram-se. Multidões afluíam aos locais de reuniões para ouvirem a mensagem da volta de Cristo. Trens lotados de passageiros seguiam em destino aos locais marcados para as pregações. Em poucos anos, todo o país norte-americano havia ouvido a mensagem da volta de Cristo.

Enquanto Miller e seus seguidores anunciavam a breve volta de Cristo nos Estados Unidos, outros servos de Deus ao redor do mundo proclamavam com intenso poder a mesma mensagem. Henrique Drummond, na Inglaterra, Guilherme Cunningham, Henrique Richer, Mortimer O´Sullivan, Luís Gaussen, Guilherme Pym, Jorge Croly, Henrique Manning, Alexandre Keith, Tiago A. Begg, Jorge Stanley Faber, e muitos outros, na Escócia, Irlanda, França, Alemanha, Holanda, Suíça, América do Sul, Oriente Médio e o maior número na Inglaterra, pregaram paralelamente a Guilherme Miller a mensagem do despertar para o breve retorno de Cristo. Todos tinham em comum a pregação da mensagem do primeiro anjo de Apocalipse 14:7:

“Dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.”

De maneira impressionante também foi o surgimento das “crianças pregadoras” na Suécia. Começando por volta de 1841 até o verão de 1844, jovens, e mesmo crianças, pregavam ao povo que se preparasse para o breve encontro com Cristo.

Uma garotinha bem pequena brincava regularmente com seus brinquedos, enquanto vizinhos reuniam-se em seu lar. Então ela pregava com autoridade, por uma hora ou mais, voltando a seguir para suas bonecas. Ao serem estas crianças questionadas sobre o que significava aquela manifestação de pregação nelas, citavam Joel 2:28: “E acontecerá depois que derramarei do meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões”.

Filadélfia – O Amor Fraternal

A palavra Filadélfia significa amor fraternal entre irmãos. Como não fora testemunhado desde a época apostólica, os crentes que aceitavam a mensagem do advento começaram a viver novamente o amor fraternal. Vendiam suas casas, suas propriedades, e dedicavam todo o valor que possuíam para a causa que amavam, no ardente desejo de que mais pessoas pudessem conhecer a mensagem e se prepararem para o encontro com Cristo. Grandes somas eram doadas para que os pobres pudessem liquidar suas dívidas e para a publicação de literatura, até que os editores dissessem que não precisavam mais, o que fez com que muitos doadores se retirassem com pesar.

Como passasse a época determinada de 1843 e Cristo não voltara, muitos pensaramem desistir. Reuniam-seos crentes em grande número para estudarem as profecias e verem o que estava acontecendo e onde estava o seu erro.

Neste período houve um forte combate por parte das igrejas protestantes contra o movimento do advento. Todos os que professavam a fé na breve volta de Jesus eram expulsos das igrejas. Ao ver isto acontecendo, os crentes entenderam que chegara a hora de proclamar a segunda mensagem angélica de Apocalipse 14:8, que anunciava a queda das igrejas que não criam na breve vinda de Cristo. A oposição também era grande por parte do mundo. Enquanto a mensagem da breve volta de Cristo era amada por alguns, era, de outro modo, odiada por outros.

Em agosto de 1844, enquanto realizavam uma de suas reuniões para procurar entender o erro na profecia dos 2300 anos, o irmão Snow aproximou-se com uma impressionante mensagem baseada no estudo do santuário, de que a purificação do santuário (Daniel 8:14) ocorria sempre no décimo dia do sétimo mês judaico, e que Deus havia determinado assim porque no céu a purificação ocorreria na data determinada por Ele na festa da expiação (ver Levítico 16; 23:27-32). Sendo assim, a data do dia da expiação no calendário judaico cairia naquele ano em 22 de outubro, ou seja, Cristo voltaria dentro de dois meses!

A mensagem agora pregada pelo grupo de crentes era “Eis o noivo! Saí ao seu encontro”. Quão alegres eram as novas de que Cristo estava chegando! O mundo exterior esperava em suspense. Milhares, que nunca se haviam unido ao movimento, examinavam o coração com temor de que fosse realmente verdade.

Dia 20 de outubro, 21 de outubro, 22 de outubro. Chegara o grande dia. Os crentes estavam todos reunidos, entoando louvores ao Senhor, com seus olhares fixos no céu. As horas do dia foram vagarosamente passando, até o momento em que os relógios assinalaram as doze horas da meia noite. O dia havia terminado e Jesus não viera! Tremendo foi o desapontamento daquelas pessoas que deixaram tudo para encontrar-se com o Noivo!

Escreveu Tiago White anos depois: “Quando o irmão Himes visitou Portland, Maine, poucos dias após a passagem da data, e declarou que os irmãos deveriam preparar-se para outro duro inverno, meus sentimentos foram quase incontroláveis. Deixei o local da reunião e chorei como uma criança.” (Life Incidents, pág. 182). Este era o sentimento de todos.

O que aconteceu com o movimento milerita tão abençoado? Teria sido tudo paixão humana, tudo provindo de uma mera excitação fanática religiosa?

“Estas coisas diz o santo, o verdadeiro…” (Apocalipse 3:7). Como um alento a esta igreja que se decepcionaria, Cristo apresenta-Se a ela como Aquele que é verdadeiro. Embora parecesse agora tudo sem sentido, ao prosseguirem em oração, os crentes compreenderiam onde estava o seu erro. O fato de Jesus apresentar-Se como sendo o “santo” para esta igreja, pode representar que este foi um período em que a igreja mais buscou e alcançou a semelhança com Ele na santificação, desde os tempos apostólicos até então.

“Aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fecha, e que fecha, e ninguém abrirá” (Apocalipse 3:7). O fato de Cristo ter a chave de Davi representa que, como herdeiro do trono no reino eterno, Ele possui toda a autoridade, e uma vez que recebe as chaves, é um símbolo de que ele está prestes a sentar para reinar.

A Porta Aberta no Céu

Se o trono eterno da raiz de Davi encontra-se no Céu, é certo também que essa chave, a qual Ele possui, abre alguma porta neste mesmo local, ou seja, no céu.

“O que abre e ninguém fecha”. – Para compreender esta linguagem é necessário considerar a posição e obra de Cristo relacionada com o Seu ministério no santuário, ou o verdadeiro tabernáculo celeste (Heb. 8:2). Neste texto encontra-se a reposta para o desapontamento do povo em 1844.

Existia outrora aqui na Terra uma figura, ou cópia, deste santuário celeste, que era o santuário construído por Moisés (Êxodo 25:8, 9; Atos 7:44; Hebreus 9:1, 21, 23, 24). O edifício terrestre tinha dois compartimentos: o lugar santo e o lugar santíssimo (Êxodo 26:33, 34). No primeiro compartimento estavam o castiçal, a mesa dos pães da proposição e o altar do incenso. No segundo estavam a arca, que continha as tábuas da Aliança, ou os Dez Mandamentos, e os querubins (Hebreus 9:1-5). Semelhantemente, o santuário em que Cristoministra no Céu tem dois compartimentos, porque nos é indicado claramente em Hebreus 9:21-24, que “o tabernáculo e todos os utensílios do serviço sagrado” eram “figuras das coisas que se acham nos céus”. Como todas as coisas foram feitas segundo o seu modelo, o santuário celeste tinha também móveis semelhantes aos do terrestre. Para o antítipo do castiçal e altar do incenso, construído de ouro, que se encontravam no primeiro compartimento (ver Apocalipse 4:5; 8:3); e para o antítipo da arca da Aliança, com os seus Dez Mandamentos (ver Apocalipse 22; 11:19). No santuário terrestre ministravam os sacerdotes (Êxodo 28:41, 43; Hebreus 9:6, 7; 13:11, etc.). O ministério destes sacerdotes era uma sombra do ministério de Cristo no santuário celeste (Hebreus 8:4, 5).

Cada ano realizava-se um ciclo completo de serviço no santuário terrestre (Hebreus 9:7). Mas no tabernáculo celeste, o serviço é realizado uma vez por todas (Hebreus 7:27; 8:12). No fim do serviço típico anual, o sumo sacerdote entrava no segundo compartimento, o lugar santíssimo do santuário, para fazer expiação, e essa era chamada a purificação do santuário (Levítico 16:20, 30, 33; Ezequiel 45:18). Quando começava o ministério no lugar santíssimo, cessava o do lugar santo, e nenhum serviço se realizava aqui enquanto o sacerdote estava ocupado no lugar santíssimo (Levítico 16:17).

Semelhante ato de abrir e fechar, ou mudança de ministério, devia Cristo realizar quando chegasse o tempo para a purificação do santuário celeste. E esse tempo havia de chegar ao fim dos 2.300 dias, ou seja, em 1844. Aeste acontecimento pode aplicar-se com propriedade o abrir e fechar mencionados no texto que agora consideramos, onde o ato de abrir representaria o começo do ministério de Cristo no lugar santíssimo, e o ato de fechar, à cessação de Seu serviço no primeiro compartimento, ou lugar santo. (Para maiores informações sobre a profecia das 2300 tardes e manhãs adquira o livro “O Evangelho Eterno” desta mesma editora).

Sendo assim, o que ocorreu no dia 22 de outubro de 1844 não foi o retorno de Cristo à Terra, e sim, a movimentação de nosso sumo sacerdote do lugar Santo do santuário celeste, para o lugar Santíssimo, para iniciar a última obra em favor do homem – a purificação. Daniel confirma este raciocínio nas seguintes palavras:

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem…”, para onde Jesus estava indo com as nuvens? Para a Terra buscar os Seus escolhidos, como raciocinaram os mileritas? Não! “E dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.” (Daniel 7:13). No momentoem que Jesus Se dirige ao Ancião de Dias (Deus, o Pai), Este está assentado no trono do tribunal celestial, prestes a iniciar o juízo (Daniel 7:9-10), mas assim como nenhum tribunal começa sem ter o seu juiz, era necessário que o nosso Juiz e Advogado, Jesus, comparecesse perante o trono no lugar santíssimo para que o julgamento começasse (ver João 5:22; I João 2:1).

O versículo 9 de Apocalipse 3, aplica-se aos que não acompanham a progressiva luz da verdade e se opõem aos que o fazem. A esses tais far-se-á ainda sentir e confessar que Deus ama os que obedecem à Sua palavra e continuam a avançar no conhecimento da Sua verdade.

“…guardaste a palavra da minha perseverança…” (Apocalipse 3:10). João diz em Apocalipse 14:12: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”. Este movimento iniciado com a proclamação da breve volta de Jesus, seria no futuro, o porta-bandeira dos mandamentos de Deus. Ao perseverarem em oração, o grupo de crentes decepcionados em 1844 compreendeu o que de fato ocorreu. De que Cristo realmente adentrara no lugar santíssimo, e puderam divisar neste local o que João descrevera que ali havia: “Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário…” (Apocalipse 11:19), e dentro desta arca, encontravam-se as tábuas dos Dez Mandamentos, com o sábado escrito nela (Hebreus 9:4). A luz dos mandamentos de Deus começou novamente a ser levada ao mundo em tons claros e distintos e o sábado do quarto mandamento, esquecido desde o quarto século por causa do papado como vimos nas edições anteriores, começou a ser novamente “lembrado” pelos cristãos sinceros.

“…eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro…” (Apocalipse 3:10). Aproxima-se o tempo em que haverá um grande combate entre aqueles que desejam ser fiéis aos mandamentos de Deus contra aqueles que se submeterão ao poder do papado, como ocorreu no passado. Todos aqueles que mantiverem reavivado em seus corações o “amor fraternal” que foi manifesto no movimento adventista no passado, serão guardados, ou seja, protegidos por Deus.

Conservar a Coroa

“Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguem tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:11). Nesta carta, a vinda de Cristo é apresentada com mais ênfase do que em qualquer das mensagens precedentes. Chama a atenção dos crentes para a proximidade deste acontecimento, e os aconselha a vigiarem para que não percam a sua coroa. A palavra aqui traduzida como “tomar” pode também ser colocada como “tirar, arrebatar, privar de”. Por nossa fidelidade não privaremos ninguém da coroa. Por outro lado, podemos ser privados de ter nossa coroa caso qualquer coisa deste mundo prenda a nossa atenção, desviando-nos de Cristo. Que nada nem ninguém te induza a separar-te do Senhor Jesus, pois em assim fazendo, perderias a tua recompensa.

A promessa “ao vencedor.” (Apocalipse 3:12) – Nesta carta o vencedor tem a promessa de ser feito uma coluna no templo de Deus e de nunca sair dele. O templo aqui deve significar a igreja, e a promessa de ser feito uma coluna dela é a maior que se podia dar de um lugar de honra, permanência e segurança na igreja, sob a figura de um edifício celestial. Quando chegar o tempo de se cumprir esta parte da promessa, terá passado o tempo de graça, e o vencedor estará plenamente firmado na verdade e selado. “Dele nunca sairá”, isto é, não há mais perigo de apostatar. Pertencerá ao Senhor para sempre; a sua salvação é certa.

Pode-se dizer que desde o momento em que os cristãos vençam e sejam selados para o Céu, são etiquetados como pertencendo a Deus e a Cristo, e dirigidos ao seu destino: a Nova Jerusalém. Hão de ter escrito sobre si o nome de Deus, de quem são propriedade, o nome da Nova Jerusalém, para onde se dirigem, e não da velha Jerusalém, que alguns estão buscando em vão. Também, terão sobre si o novo nome de Cristo, por cuja autoridade hão de receber a vida eterna e entrar no reino. Assim selados e etiquetados, os santos de Deus estão seguros. “Nenhum inimigo poderá impedir que atinjam o seu destino, seu glorioso porto de repouso, a Jerusalém celestial.” (As profecias de Daniel e Apocalipse, pág. 22 – Uriah Smith)

Amado leitor, se tu desejas obter a vitória ao final da tua carreira, se desejas alcançar a coroa da glória que está destinada a ti, precisa dedicar-te por completo ao Senhor Jesus, pois Ele é poderoso para cumprir em tua vida todas as promessa que Ele te fez. Creia, pois “tudo é possível àquele que crê” (Marcos 9:23), disse Jesus.

Nos últimos dias, manifestar-se-á novamente o espírito de Filadélfia na igreja de Cristo. Os crentes amar-se-ão uns aos outros como Cristo os amou. Somente assim estarão preparados para receber a promessa do Espírito e para encontrar-se com Cristo na Sua segunda vida. Cristo logo vem, irmão… Prepara-te!

Que Deus te abençoe!