Estudos

O Apocalipse de Sofonias e a Babilônia de Naum

A Palavra de Deus está recheada de novas descobertas! É tal qual um mar de pedras preciosas: pedindo a inspiração ao Pai a cada leitura encontraremos uma pedra de jaspe aqui, uma ametista ali, topázio acolá, e assim por diante, perfazendo um conhecimento enobrecido pelo Seu caráter santo. Temos um tesouro em nossas mãos! É nosso dever, acima de tudo nos é um privilégio, garimpar em um solo consagrado no qual podemos encontrar as bem-aventuranças que nos enriquecerão com a certeza da vida eterna.

O reencontro com Deus

Acompanhemos atentamente a história do rei Josias: seu avô, Manassés, foi também rei em Israel. “Tinha Manassés doze anos de idade quando começou a reinar e cinqüenta e cinco anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hefzibá. E fez o que era mal aos olhos do SENHOR, conforme as abominações dos gentios que o SENHOR desterrara de suas possessões de diante dos filhos de Israel.” (II Reis 21: 1 e 2). O relato bíblico deixa bem claro que o reinado de Manassés não foi próspero porque não tinha o Altíssimo em primeiro lugar. Fatalmente, todos os domínios terrestres que não O colocam como prioridade estão fadados a uma triste ruína.

Sucedeu ao apóstata, o rei Amon: “Tinha Amon vinte e dois anos de idade quando começou a reinar e dois anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Mesulemete, filha de Haruz, de Jotbá. E fez o que era mal aos olhos do SENHOR, como fizera Manassés, seu pai.” (II Reis 21: 19 e 20). Maiores detalhes a despeito desse reino não precisamos nem sequer citar, basta perceber que seguiu os inconseqüentes passos de seu pai.

Por ora, podemos ressaltar o seguinte: quando a Bíblia descreveu o reinado de Manassés e Amon citou o nome de suas respectivas mães. O propósito da citação é mostrar que os pais possuem uma parcela de culpa quando os filhos se perdem. Caso esses dois reis fossem educados no caminho do Senhor, não se desviariam. A condescendência dos pais acaba resultando em reputação criminosa dos filhos. Os pais e responsáveis devem ser diligentes na educação  e os filhos, por sua vez, obedientes! Ademais, vemos, pois, que o povo de Deus não tinha em sua liderança homens consagrados. Apostasia e recrudescimento da fé eram apenas algumas das conseqüências desse triste fato.

Após a queda precipitada de Amon, eis que surge Josias. Será esse o rei no qual nos deteremos com mais afinco. “Tinha Josias oito anos de idade quando começou a reinar e reinou trinta e um anos, em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Jedida, filha de Adaías, de Bozcate. E fez o que era reto aos olhos do SENHOR; e andou em todo o caminho de Davi, seu pai, e não se apartou dele nem para a direita nem para a esquerda.” (II Reis 22: 1 e 2). Louvado seja Deus porque, após a insistente apostasia, ergueu agora um rei que tinha em seu coração o temor a Deus. Obedeceu toda orientação do maravilhoso Pai que habita no Céu! “E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao SENHOR com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro tal.” (II Reis 23: 25). Que maravilhosa bênção!

Uma ocasião bastante especial abençoou o mandato do rei Josias: “Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da Lei na Casa do SENHOR.” (II Reis 22: 8). Por quanto tempo estava o santo livro da Lei perdido! Encontramos aqui a explicação para a queda espiritual predominante em outros reinos por causa da ausência deste sustentáculo para a manutenção da ordem e prosperidade. Manassés e Amon, por algum motivo, desviaram-se da Lei de Deus. Vejam, a santa Lei, inspirada por Deus, estava perdida. Nada mais natural do que sobrevirem opróbrio e desonra. Mas o Pai tinha o propósito de restaurar a ordem: guiou aqueles homens a encontrarem as santas palavras. O reinado de Josias é marcado, principalmente, pelo reencontro com Deus por meio daquela santa lei.

“Prepara-te, ó Israel, para te encontrares com teu Deus.” (Amós 4: 12). Uma grande semelhança existe entre essa história e a do Movimento do Advento Ilustrado. A Palavra de Deus, e obviamente Sua Lei, estava debaixo de muitas ruínas, até mesmo literais já que os séculos XVIII e XIX assinalam muitas guerras. No entanto, tal como no reinado de Josias, Deus suscitou pessoas para que, tirando as lições da Bíblia dos escombros espirituais, divulgassem a boa-nova por todo o mundo. O período em que Josias esteve no poder e, posteriormente, o aparecimento dos pioneiros do movimento do advento marcam, cada qual em sua época, a restauração do amor e da justiça de Deus!

Complementando ainda mais o paralelo, temos uma profetisa, chamada Hulda, que trouxe uma mensagem do Altíssimo para o rei e todos os habitantes no período no qual Josias estava no poder: “E ela lhes disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim [rei Josias]: Assim diz o SENHOR: Eis que trarei mal sobre este lugar e sobre os seus moradores, a saber, todas as palavras do livro que leu o rei de Judá. Porquanto Me deixaram e queimaram incenso a outros deuses, para Me provocarem à ira por todas as obras das suas mãos, o Meu furor se acendeu contra este lugar e não se apagará. (II Reis 22: 15-17). Uma mensagem que tem muitos pontos em comum com a de outra serva de Deus, esta pertencente ao Movimento do Advento Ilustrado em 1844! O teor da mensagem da profetisa Hulda, do tempo de Josias, assemelha-se ao da serva do Senhor na medida em que pregam o juízo vindouro da fúria de Deus. Ora, o foco da mensagem apresentada em 1844 e nos anos posteriores eram as três mensagens angélicas, que são uma advertência de preparação e reforma para enfrentarmos os acontecimentos finais da Terra. Há, portanto, uma ligação bastante evidente entre as duas histórias.

O mais interessante disso tudo é a aplicação da mensagem de Sofonias para os três tempos distintos: (1) para o tempo do rei Josias (porque Sofonias era o profeta do Senhor nessa época); (2) para a mensagem do povo do advento em 1844 e dos pioneiros de um modo geral; e (3) para nós hoje, a geração que aguarda ansiosamente a volta de Cristo para o encontro com Ele nos ares.

Vejamos o que Ellen White nos diz a respeito de Sofonias:

“Durante o reinado de Josias a palavra do Senhor veio a Sofonias, especificando claramente os resultados da continuada apostasia, e chamando a atenção da verdadeira igreja para a gloriosa perspectiva do além. Suas profecias de juízo impendente sobre Judá se aplicam com igual força aos juízos que devem cair sobre o mundo impenitente por ocasião da segunda vinda de Cristo.” Profetas e Reis, p. 389

A mensagem do livro de Sofonias ganha para nós um sentido especial hoje porque condensa ainda mais a luz dada no tempo no qual Josias reinou e no tempo do surgimento do movimento do Advento. Os escritos que Deus inspirou para que o profeta escrevesse constituem tanto uma advertência para os habitantes da época de Josias fortalecendo a mensagem da profetisa Hulda quanto para nós que, baseados na Palavra de Deus e em relatos da mensageira do Senhor, estamos agora nos preparando para a gloriosa volta de Cristo.

O alerta

 “Cala-te diante do SENHOR Jeová, porque o Dia do SENHOR está perto, porque o SENHOR preparou o sacrifício e santificou os seus convidados.” (Sofonias 1: 7). Brevemente, o sacrifício de Cristo encerrar-se-á e, por conta disso, estarão esgotadas as vagas para as bodas do Cordeiro. É tempo de nos santificarmos porque o dia do Senhor aproxima-se velozmente.

“O grande dia do SENHOR está perto, está perto, e se apressa muito a voz do dia do SENHOR; amargamente clamará ali o homem poderoso. Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombetas e de alaridos contra as cidades fortes e contra as torres altas.” (Sofonias 1: 14-16). Os dias que precedem a gloriosa volta de nosso Salvador serão tempos difíceis: haverá tempo de angústia qual nunca houve aqui na Terra e os dias serão abreviados por causa dos escolhidos. O povo de Deus sobreviverá inteiramente pela fé nEle; sofrerão e triunfarão! Sem dúvidas, esta é uma mensagem que diz respeito aos últimos dias.

O decreto

 “Congrega-te, sim, congrega-te, ó nação que não tens desejo, antes que saia o decreto e o dia passe como a palha; antes que venha sobre vós a ira do SENHOR; sim, antes que venha sobre vós o dia da ira do SENHOR.” (Sofonias 2: 1). A atualidade dessa declaração é algo incrível! Ela complementa a terceira mensagem angélica, que diz: “E os seguiu o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta e sua imagem e receber o sinal na testa ou na mão, também o tal beberá o vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” (Apocalipse 14: 9 e 10). A mensagem do livro de Sofonias é anterior à sanção do decreto, no caso o dominical (em oposição ao selo de Deus, que é o Santo Sábado). O profeta nos aconselha a nos prepararmos antes que tal fato se concretize. Ora, somos nós quem vivemos às margens da aprovação de um decreto, em âmbito mundial, e precisamos tão logo nos santificar! A mensagem de Deus, sobretudo, é a de que precisamos aplainar nossos caminhos antes que venha o Seu grande Dia.

A terceira mensagem angélica, complementada por Sofonias, visa a preparação. Enquanto ela é divulgada, ainda existe tempo para arrependimento e perdão pelos pecados. Entretanto, o tempo da graça termina juntamente com o (1) encerramento dessa pregação e, também, (2) o término da intercessão de Cristo. Quando a mensagem de Apocalipse for encerrada as pragas de Deus serão derramadas sobre os ímpios habitantes da Terra.

 “Retirando-Se Jesus do lugar santíssimo, ouvi o tilintar das campainhas sobre as Suas vestes, e, ao sair Ele, uma nuvem de trevas cobriu os habitantes da Terra. Não havia então mediador entre o homem culpado e Deus, que fora ofendido. Enquanto Jesus permanecera entre Deus e o homem culposo, achava-se o povo sob repressão; quando, porém, Ele saiu de entre o homem e o Pai, essa restrição foi removida e Satanás teve completo domínio sobre os que afinal não se arrependeram. Era impossível serem derramadas as pragas enquanto Jesus oficiava no santuário; mas, terminando ali a Sua obra e encerrando-se a Sua intercessão, nada havia para deter a ira de Deus e ela irrompeu com fúria sobre a cabeça desabrigada do pecador culpado (…). As pragas estavam caindo sobre os habitantes da Terra.” Primeiros Escritos, pp.280 e 281

 “E ouvi, vinda do templo, uma grande voz que dizia aos sete anjos: Ide e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.” (Apocalipse 16: 1). Na medida certa, Deus revela a mensagem para os Seus amados filhos: não é à toa que somente agora a mensagem de Sofonias surge para que apressemos nossa preparação! Cristo ainda está intercedendo por nós. Ele anseia nos purificar para não sofrermos com o duro juízo porvir. “Congrega-te, sim, congrega-te, ó nação que não tens desejo, antes que saia o decreto. (Sofonias 2: 1). A advertência de Sofonias e a terceira mensagem angélica são a ante-sala do derramamento da ira de Deus sem mistura.

Dez

Percebam como o anúncio de Sofonias é preciso; Deus deixou uma mensagem especial para Seus filhos:

No capítulo dois do livro do profeta Sofonias, existe uma relação de povos/cidades castigadas. São elas:

  • Gaza;
  • Asquelom;
  • Asdode;
  • Ecrom;
  • Canaã, terra dos filisteus;
  • Moabe;
  • Amon;
  • Os etíopes;
  • Os quereteus;
  • E os ninivitas.

Reparem um detalhe: estamos considerando que essa revelação é para o tempo do fim. E eis que o profeta de Deus anuncia a ruína para dez cidades/povos. Pois bem, temos a mesma quantidade de povos/cidades também representados na estátua de Nabucodonosor (que está em Daniel 2) e os dez chifres da besta sobre a qual a prostituta de Apocalipse 17 está assentada. O que isso quer dizer? Que a lista de Sofonias é uma confirmação de que a Nova Ordem Mundial existirá e será destruída!

Castigo de Nínive-Babilônia

Não obstante, o autor detalha especificamente a destruição de uma das cidades, no caso Nínive. “Os seus profetas são levianos e criaturas aleivosas; os seus sacerdotes profanaram o santuário e fizeram violência à lei.” (Sofonias 3: 4). Se prestarmos atenção, existem algumas semelhanças entre a destruição da cidade descrita por Sofonias e a ruína da cidade que o livro de Apocalipse, capítulos 17-18, apresenta. Sofonias diz: “E, no meio dela, repousarão os rebanhos, todos os animais dos povos; e alojar-se-ão nos seus capitéis assim o pelicano como o ouriço; a voz do seu canto retinirá nas janelas, a assolação estará no umbral, quando tiver descoberto a sua obra de cedro. Esta é a cidade alegre e descuidada, que dizia no seu coração: Eu sou, e não há outra além de mim; como se tornou em assolação e pousada de animais! Qualquer que passar por ela assobiará e meneará a cabeça.” (Sofonias 2: 14 e 15). A presença de animais no meio dessa cidade torna a atmosfera do ambiente impregnada de maus odores, dando um aspecto imundo ao local. Parece ser essa a sensação que a leitura causa. A mesma impressão causa a cidade relatada em Apocalipse 18: 2: “E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo e refúgio de toda ave imunda e aborrecível.” Parece existir uma relação que equaciona o estado das duas cidades! Outro detalhe interessante que estreita ainda mais os laços entre os relatos de destruição dessas cidades é a de que o juízo de Deus será manifesto pela destruição com fogo.

Tanta é a semelhança que podemos ousar afirmar que os dois autores, Sofonias e João, estão tratando da mesma cidade. O contexto é diferente, obviamente, mas a revelação conduz à uma mesma conclusão. A Babilônia que João descreve é a Nínive descrita por Sofonias!

E não pára por aqui: Temos, na mesma época em que Sofonias está pregando, a atividade de outro servo de Deus: Naum. Também ele pode ter sua mensagem enquadrada no contexto em que estamos tratando, ou seja, ele também estabelece um diálogo em linha profética com Sofonias e João.

João escreve, em Apocalipse 17: 1: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas.” Como vimos, Babilônia e Nínive podem bem ser, profeticamente, a mesma cidade sobre a qual recaem os juízos de Deus, nos últimos tempos, pela sua impenitência.

Ora, o anjo convida João a ver a condenação dessa cidade e Naum, paralelamente, descreve-a também em seu livro: “Peso de Nínive. Livro da visão de Naum, o elcosita.” (Naum 1: 1). Tal qual Sofonias, Naum adverte a desmoralizada cidade de Nínive com respeito aos juízos do Todo-Poderoso. É como se Nínive (ou seja, a Babilônia de Apocalipse) fosse pesada na balança e, por conta da asa de suas abominações, fosse achada em falta.

“Contra ti, porém, o SENHOR deu ordem, que mais ninguém do teu nome seja semeado; da casa do teu deus exterminarei as imagens de escultura e de fundição; ali farei o teu sepulcro, porque és vil.” (Naum 1: 14). É, exatamente hoje, a igreja que está adornada com ouro e vestida de púrpura a qual incita seus seguidores a serem idólatras. E a visão de Naum confirma que serão destruídos.

“Ai da cidade ensangüentada! Ela está toda cheia de mentiras e de rapina! Não se aparta dela o roubo.” (Naum 3: 1). O livro de Apocalipse relata, a respeito daquela grande cidade que se prostituiu com os reis da terra: “E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus.” (Apocalipse 17: 6). Matar os verdadeiros adoradores de Deus é uma tarefa cruelmente desempenhada pela cidade de que tratam Naum, Sofonias e João, que será castigada pelo Pai. Ela chega mesmo a ser descrita como ensangüentada e embriagada de sangue.

A ira de Deus será derramada “por causa da multidão de pecados da mui graciosa meretriz.” (Naum 3: 4). “Não há cura para a tua ferida; a tua chaga é dolorosa; todos os que ouviram a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque sobre quem não passou continuamente a tua malícia?” (Naum 3: 19). A respeito dessa mui graciosa meretriz, o apóstolo João escreve que deu a beber a todas as nações de seu malicioso vinho da prostituição. Ela contaminou a todos quantos foi possível com suas perversidades e maledicências.

O apocalipse de Sofonias e a Babilônia de Naum (que mistificam a condenação da Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra, do livro de Apocalipse) apresentam o caráter e as intenções do papado!

Sai dela, povo meu!

 Mesmo diante de tamanha destruição, Deus livrará um povo, recomendando: “Buscai ao SENHOR, vós todos os mansos da terra, que pondes por obra o Seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura sereis escondidos no dia da ira do SENHOR.” (Sofonias 2: 3).

 De fato, tal qual foi a mensagem do Senhor através de Sua mensageira junto dos pioneiros, o Pai possuirá uma igreja remanescente: “Mas deixarei no meio de ti um povo humilde pobre, e eles confiarão no nome do SENHOR. O remanescente de Israel não cometerá iniquidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante.” (Sofonias 3: 12 e 13). Novamente, a descrição desse povo assemelha-se com os cento e quarenta e quatro mil vistos no Monte Sião por João. “E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus.” (Apocalipse 14: 5). Vê-se que não será achado engano na boca deles – mais um laço que liga uma descrição com a outra e permite-nos entender tratarem, os dois textos, do mesmo povo.

Ainda o profeta Naum descreve o livramento do povo de Deus: “O SENHOR é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele.” (Naum 1: 7).

Prova real da ira de Deus

O pano de fundo que se desenrolava por trás da obra do profeta Sofonias é digno de apreciação: posteriormente, o anúncio de destruição contra o povo de Deus se concretizou. Não poderia haver mais misericórdia da parte dEle por aquelas pessoas que O desonravam continuamente. Um povo rebelde, desobediente, indisciplinado – eis que seu triste fim resultou em lamentações. Exatamente o livro das Lamentações de Jeremias detalha os sofrimentos daqueles que foram levados cativos pelo inimigo. Jeremias atuou como profeta, sendo ainda moço quando Sofonias executava sua obra de advertência. São praticamente do mesmo período.

Interessantíssimo notar que a nação que fez cativo o povo de Deus foi a Babilônia! O cativeiro babilônico é o que materializa o transtorno de Deus sobre o Seu povo. O sofrimento vindo com o poder repressor de Babilônia era o justo juízo que caía sobre a multidão e que fora anunciado pela profetisa Hulda. Hoje também, Babilônia tenta nos tornar cativos, oferecendo-nos de maneira agradável o destruidor e encolerizante vinho da fúria da prostituição. A mensageira de Deus, a Hulda morderna, nos adverte:

 “Vi que, havendo Jesus deixado o lugar santo e entrado no segundo véu, as igrejas têm-se tornado esconderijo de toda espécie de ave imunda e detestável. Vi nas igrejas grande iniquidade e vileza; contudo, os seus membros professam ser cristãos. Sua profissão, suas orações e exortações constituem uma abominação aos olhos de Deus. Disse o anjo: ‘Deus não se agradará de suas assembléias. Egoísmo, embuste e engano são por eles praticados sem reprovações da consciência. E sobre todos esses maus traços lançam o manto da religião.’ Foi-me mostrado o orgulho das igrejas nominais. Deus não está em seus pensamentos; sua mente carnal demora-se neles mesmos; decoram os seus pobres corpos mortais e olham para si mesmos com satisfação e prazer. Jesus e os anjos olham para eles com ira. Disse o anjo: ‘Seus pecados e orgulho alcançaram o Céu. Sua porção está preparada. Justiça e juízo têm dormido por muito tempo, mas despertarão logo. Minha é a vingança, e Eu darei a retribuição, diz o Senhor.’ As terríveis ameaças do terceiro anjo deverão tornar-se realidade, e todos os ímpios beberão da ira de Deus (…). A ira de Deus não cessará até que tenha levado esta terra de luz a beber até as fezes o copo de Sua ira, até que tenha recompensado em dobro a Babilônia.” Primeiros Escritos, pp. 274 e 276

Interpretando o contexto da época de Sofonias, podemos entender que a profetisa Hulda representa a mensageira do Senhor e todos os verdadeiros servos de Deus que se levantam hoje com a mesma mensagem, na medida em que soam o mesmo teor de advertência. A mesma condição em que os integrantes do povo de Deus estava mergulhada nos tempos do profeta Sofonias é a de hoje, em relação aos que se embriagam com as doutrinas apostatadas de Babilônia. Sem dúvidas, grande parcela das pessoas se afogará em um mar de destruição.

A advertência de Sofonias (no fundo, um alerta de Deus), se lêssemos sob a ótica do livro de Apocalipse é: “Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas.” (Apocalipse 18: 4).

Deus quer nos resgatar do antro de prostituições em que vivemos oferecendo Jesus Cristo. Os nossos pecados já fizeram com que Seu precioso sangue fosse derramado na Cruz. Nossas transgressões serão justificadas quando O aceitarmos. Seremos revestidos com Sua justiça e teremos condições de estar em pé em Sua triunfante volta.

A mensagem apocalíptica do livro de Sofonias nada mais é senão uma prova de que o fim dos tempos está muito próximo e que precisamos urgentemente consagrar nossas vidas a Deus. O livro de Naum detalha o sórdido fim dos que ignoraram a advertência do Todo-Poderoso.

Deus nos aconselha a nos prepararmos firmemente para que não sejamos vomitados de Sua boca. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos de refrigério pela presença do Senhor.” (Atos 3: 19).